quinta-feira, 9 de junho de 2011

Redução de Custos - Gestão Integrada "ISO 9001 e 14001"

Os retornos obtidos com a certificação dos sistemas integrados de gestão, porém percebe-se a evolução de alguns fatores como: a melhoria nos processos; a uniformização e aprimoramento dos procedimentos; a nova imagem da empresa perante a sociedade, fornecedores, clientes e acionistas; uma nova cultura organizacional com funcionários mais motivados e com maior engajamento em suas atividades; o alto índice de aprovação dos produtos e/ou serviços com base nos requisitos estabelecidos pelo próprio cliente. Esses fatores em conjunto, agregam valor a produt  em relação à satisfação do cliente, o que pode proporcionar o aumento da competitividade e da rentabilidade na organização.




A globalização da economia além de ter gerado pressões sobre o aumento da competitividade, impulsionou o novo paradigma gerencial que enfatiza a melhoria contínua, tanto dos processos quanto dos produtos e serviços, que através de estratégias competitivas e políticas de qualidade, possam atender sempre da melhor forma os clientes, visando reduzir custos e o aumentar a lucratividade.

O interesse volta-se principalmente, as novas metodologias, sistemas e técnicas de gestão. É neste contexto, caracterizado pelo advento da globalização e, pela necessidade de garantia de competitividade, como por exemplo, a gestão da qualidade total com a certificação ISO 9001 e a gestão ambiental com a certificação ISO 14001, que emergiram não apenas como metodologia de padronização de processos, mas como caminho para se obter maiores ganhos de competitividade e rentabilidade.

Nesse cenário, são crescentes os investimentos feitos em implementação de gestão da qualidade e ambiental. As empresas têm priorizado o atendimento da satisfação das necessidades do consumidor, e até mesmo procurando suprir suas expectativas, com a meta de alcançar um nível elevado de qualidade e produtividade, a custos baixos, através da eliminação de desperdícios em todas as áreas, bem como não agredir o meio ambiente.

Há uma constante preocupação com a melhoria contínua dentro da organização, procurando sempre a redução dos custos aliada ao aumento da qualidade do produto, bem como a satisfação de seus funcionários e a não agressão ao meio ambiente.

Dessa forma, faz-se necessário à implantação de um sistema de planejamento estratégico para alcançar o grau de qualidade desejado. Além disso, utilizam-se os indicadores de desempenho, instrumentos de grande importância para o processo de tomada de decisão, pois mostram a verdadeira situação da empresa. Através desses indicadores podem-se fazer comparações com o desempenho de empresas que atuam no mesmo ramo, a comparar o que foi realizado com as metas estabelecidas, a verificar o nível de satisfação do cliente, a verificar falhas dentro do processo produtivo e a comparação com períodos anteriores.

Um dos fatores críticos para o bom desempenho e aumento da competitividade das empresas que pretendem liderar o mercado será a constante melhoria e eficiência dos serviços, na busca por novas estratégias, baseada no conhecimento e satisfação dos clientes/consumidores.

ESTRATÉGIA COMPETITIVA

Muitas empresas atualmente analisam sua forma de organização com o objetivo de verificar se possuem condições de competir no mercado com as estratégias que vem adotando.

Para Chandler (apud ROCHA, 2000, p. 27), a estratégia é definida como “a determinação das metas e dos objetivos de longo prazo da empresa e a adoção de linhas de ação e a elaboração de recursos necessários para o alcance destas metas”.

Para Porter (1996), estratégias são as defesas que a empresa cria em sua estrutura contra as forças competitivas, determinando na indústria onde estas forças sejam mais fracas. Definidas as capacidades da companhia e das causas das forças competitivas, é possível analisar os pontos fortes e os pontos fracos críticos de cada companhia, esclarecendo as áreas em que as mudanças estratégicas podem resultar um retorno máximo e também as áreas com prováveis ameaças.

Porter (1996) ainda destaca que em uma organização normalmente há lugar para diversas estratégias de enfoque, desde que sejam escolhidos segmento-alvos diferentes, e estes forem estruturalmente atrativos, a organização pode alcançar a liderança no custo sustentável ou na diferenciação.

A incorporação das questões relacionadas com a qualidade dos produtos/serviços e do meio ambiente passou a serem fatores de sobrevivência como uma conseqüência natural na aplicação efetiva e não mais como um programa independente das estratégias.

SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO

Empresas em todo o mundo estão descobrindo que os seus sistemas de gestão da qualidade também podem ser utilizados como base para o tratamento eficaz das questões relativas ao meio ambiente. Desta forma, conseguem integrar os sistemas de gestão relacionados com a NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001, garantindo a melhoria e otimização dos processos, atingindo melhores níveis de desempenho, a um custo global muito menor.

Enquanto os sistemas de gestão da qualidade tratam das necessidades dos clientes, os sistemas de gestão ambiental atendem às necessidades de um vasto conjunto de partes interessadas e às crescentes necessidades da sociedade sobre proteção ambiental (NBR ISSO 14001:2004).

ISO 9001
Segundo a NBR ISO 9001 a nova norma foi desenvolvida utilizando-se como requisitos um conjunto de oito princípios, que atuam como uma base de sustentação comum para normas relacionadas à gestão da qualidade. Os oito princípios são:

a) Foco no cliente
Organizações depende de seus clientes e, portanto, convém que entendam as necessidades atuais e futuras do cliente, atendam aos requisitos e procurem exceder as suas expectativas.
b) Liderança
Líderes estabelecem unidade de propósitos e o rumo da organização. Convém que eles criem e mantenham um ambiente interno no qual as pessoas possam estar totalmente envolvidas no propósito de atingir os objetivos da organização.
c) Envolvimento de pessoas
Pessoas de todos os níveis são a essência de uma organização e seu total envolvimento possibilita que as suas habilidades sejam usadas para o benefício da organização.
d) Abordagem de processo
Um resultado desejado é alcançado mais eficientemente quando as atividades e os recursos relacionados são gerenciados como um processo.
e) Abordagem sistêmica para a gestão
Identificar, entender e gerenciar processos inter-relacionados, como um sistema, contribui para a eficácia e eficiência da organização no sentido desta atingir seus objetivos.
f) Melhoria contínua
Convém que a melhoria contínua do desempenho global da organização seja seu objetivo permanente.
g) Abordagem factual para tomada de decisão
Decisões eficazes são baseadas na análise de dados e informações.
h) Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores
Uma organização e seus fornecedores são independentes e uma relação de benefícios mútuos aumenta a habilidade de ambos em agregar valor.
Fica clara a objetivação da ISO 9001, que através de um conjunto de requisitos, bem implementados e disponibilizados para toda organização, traz maior confiabilidade diante do fornecimento regular de produtos e serviços perante seus clientes e fornecedores.

ISO 14001
Dentro da série de normas ambientais, a NBR ISO 14001 é, então, uma norma de adesão voluntária que contém os requisitos para a implantação de um sistema de gestão ambiental (SGA) em uma empresa, podendo ser aplicada a qualquer  atividade econômica, fabril ou prestadora de serviços, independentemente de seu porte. Ela promove uma melhoria contínua do desempenho ambiental, por meio de responsabilidade voluntária. (KNUTH,2001).

Os requisitos mínimos necessários para que uma se certifique pela ISO 14001 são: ter um SGA implementado, demonstrar comprometimento expresso em sua política ambiental, estabelecer e manter regulamentos internos visando a melhoria continua do sistema (NBR ISO 14001:2004).

Para implantar um SGA, deve-se seguir um roteiro indicado na própria norma ISO14001, segundo os requisitos e especificações do sistema de gestão ambiental, compreendendo as seguintes etapas: formulação da política ambiental; planejamento; implantação e operação; verificação e ações corretivas e revisão ou análise crítica.

A implementação de um sistema da qualidade, ambiental ou integrado gera custos para a organização. Porém, quando implementados adequadamente, podem trazer retorno à organização.

CUSTOS DA QUALIDADE E AMBIENTAL

Para Rust, Zaharik, Heiningham (1994), os custos com a qualidade buscam determinar o impacto financeiro dos problemas da qualidade e identificar as áreas onde pode ocorrer a melhoria da qualidade e a redução dos custos.

Segundo Feigenbaum (1994), os custos da qualidade são associados com a definição, criação e controle da qualidade, assim como a avaliação e retroalimentação da conformação da qualidade, a garantia e requisitos de segurança, e aqueles custos associados com falhas nos requisitos de produção e depois que o produto já se encontra nas mãos do cliente. Portanto estes estão relacionados com a satisfação total do cliente.

Ainda, para Feigenbaum (1994), os custos da qualidade constituem o denominador econômico comum por meio do qual os administradores e responsáveis pelo controle da qualidade podem estabelecer comunicação rápida, nítida e eficiente, em termos reais, constituindo a base fundamental para a economia dos sistemas da qualidade. Os conceitos de custos da qualidade vão além das áreas produtivas e, até mesmo da empresa, pois eles não estão apenas em propaganda, projeto, fabricação, inspeção e expedição, mas ocorrem em todo o ciclo de vida do produto.

Desta forma, torna-se imprescindível à compreensão de quais custos estão associados à prática de qualidade em uma empresa e identificar a relação existente entre estes e os decorrentes da não-qualidade, sejam dos referentes a requisitos (ISO 9001) ou meio ambiente (ISO 14001).

Categorias dos Custos da Qualidade

Os custos da qualidade não se referem somente aos incorridos para se obter a qualidade, nem ao de funcionamento da qualidade, mas sim aos custos de produção, identificação, prevenção, ou retrabalho de produtos que não estão em conformidade com as especificações. Nesse contexto, faz-se necessário à classificação destes diferentes tipos em categorias.

Thomaz (2001, p.60) afirma que “dentro de cada categoria dos custos da qualidade, são destinados recursos para cada tipo de evento que estão envolvidos num sistema de qualidade.” Nos custos de prevenção tem-se o treinamento de equipes, investimentos em equipamentos e estudos detalhado dos processos. Nos custos de avaliação têm-se as equipes de controle da qualidade, ensaios, análises, documentação etc.. Por sua vez, nos custos de falhas internas encontram-se os rejeitos, retrabalho baixa produtividade etc.. Enfim, nos custos de falhas externas são encontradas as substituições, reparos, demandas judiciais, custos invisíveis (imagem da ) etc.

Observa-se que os custos referentes ao controle da qualidade são denominados de custos da qualidade, estes são necessários para a manutenção da mesma, subdividem-se em prevenção e avaliação. E os custos referentes às falhas dos controles, são denominados de da não qualidade ou não conformidade, subdividem-se em: falhas internas e falhas externas, estes são resultantes, sobretudo, da má qualidade nos processos empresariais.

Custos Ambientais

Moura (2000) aduz que os custos da qualidade ambiental devem ser utilizados na avaliação e melhoria da posição de competitividade das companhias, com relação aos seus concorrentes. Daí a sua importância. Enfatiza também que a gestão de custos da qualidade ambiental é uma ferramenta fundamental para o gerenciamento do sistema de gestão ambiental, pois fornece elementos para a alta administração das empresas à tomada de decisões, direcionando a melhoria do desempenho ambiental.

Com a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), faz-se necessário a identificação dos custos ambientais. Campos (1996) faz um levantamento importante sobre os grandes escritores da qualidade, quanto à questão dos custos da qualidade e faz uma adaptação para os custos da qualidade ambiental, no qual estes se encontram divididos em três categorias: custos de adequação; custos de falhas de adequação; e, custos das externalidades.

a) Custos de adequação
Os custos de adequação estão relacionados com as ações para adequação da empresa a um novo cenário proposto. Estes custos subdividem-se em: através da prevenção: custos relacionados a atividades com vistas à emissão zero, como alterações nos processos produtivos, produtos ou mesmo processos administrativos, cuja finalidade sejam produtos ou serviços produzidos sem atividades poluidoras; através de correção, referem-se à reparação de danos causados, ou de poluição gerada ao meio ambiente; e, através de controle, que é o dispêndio para evitar que haja poluição ou danos ao meio ambiente eliberadamente.

b) Os custos de falha de adequação
Dizem respeito àqueles custos reais gastos quando há uma falha no processo de adequação, seja através da prevenção, do controle ou da correção.

c) Os custos tratados como externalidades
São considerados polêmicos, relaciona-se ao uso indevido de recursos como água, solo e ar.

Para distinguir entre atividades preventivas, corretivas, de controle e de falhas dos custos da qualidade ambiental é necessária a identificação das atividades e funções do processo que fazem uso do meio ambiente. (CAMPOS, 1996).

Tanto os custos da qualidade quanto os custos ambientais ou os custos relacionados com a gestão integrada de sistemas certificáveis, produzem efeito na rentabilidade e competitividade das organizações.

Para Porter (1989, p. 4), “a rentabilidade da indústria não é uma função de aparência do produto ou de se ele engloba alta ou baixa tecnologia, mas da estrutura industrial”. A rentabilidade é o reflexo das políticas e das decisões adotadas pelos administradores da empresa.


Como fonte de vantagem competitiva a implantação de sistemas integrados de gestão, bem como as certificações ISO 9001 e ISO 14001, ajudam na redução dos custos das nãoconformidades com a qualidade e meio ambiente, que em conjunto com outras políticas competitivas, auxiliam na busca por um alto índice de rentabilidade, proporcionando a sua valorização no mercado, não apenas para as empresas que competem mundialmente, mas também por aquelas que procuram oferecer um produto diferenciado no mercado interno e que buscam credibilidade e confiança, perante seus clientes e fornecedores.

Dessa forma, é possível concluir que a certificação de sistemas de gestão traz maiores benefícios quando integrados, devido à redução dos custos de implantação, certificação, manutenção e melhoria contínua, evitando-se estruturas duplicadas de gestão e tornando mais fácil sua aplicabilidade.

Porém, percebe-se a evolução de alguns fatores como: a melhoria nos processos; a uniformização e aprimoramento dos procedimentos; a nova imagem da empresa perante a sociedade, fornecedores, clientes e acionistas; uma nova cultura organizacional com funcionários mais motivados e com maior engajamento em suas atividades; o alto índice de aprovação dos produtos e/ou serviços com base nos requisitos estabelecidos pelo próprio cliente. Esses fatores em conjunto agregam valores ao produto em relação a satisfação do cliente o que proporciona o aumento da competitividade e da rentabilidade na organização.





REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000 NBR ISO 14001.
FEIGENBAUM, Armand Vallin. Controle da qualidade total. São Paulo: Makron Books, 1994.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas em pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
MOURA, L. A. Economia ambiental: gestão de custos e investimentos. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2000.
PORTER, Michael E. Estratégia competitiva: Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1996.
PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
RUST, Roland T., ZAHORIK, Anthony J., HEININGHAM, Timothy L. Mensurando o impacto financeiro de sua empresa: questões para qualidade. Rio de Janeiro: Qualitymark,1994.
THOMAZ, Ercio. Tecnologia, gerenciamento e qualidade na construção. São Paulo: Pini, 2001.
ZACHARIAS, Oceano J. ISO 9000 : 2000 conhecendo e implantando: uma ferramenta de gestão empresarial. São Paulo: O. J. Zacharias, 2001.

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