sexta-feira, 15 de julho de 2011

Redução de Custos - Serviços de Saúde

Gestão de projetos pode reduzir custos e melhorar qualidade dos serviços de saúde

Como é que o sistema de saúde pode ser mais democratizado, garantindo um acesso geral, universal e gratuito, sem afetar a sustentabilidade financeira? Só há uma resposta para esta pergunta, produzindo com mais eficácia de modo a que os serviços de saúde custem menos, mas mantenham, e se possível aumentem, a qualidade. 
 



Genericamente, há três modos particulares de produzir qualquer bem, serviço ou resultado: em massa, em lotes e por projetos. A produção em massa aplica-se a produtos que são fabricados em grande quantidade e que são iguais entre si, como, por exemplo, Iphones.

A produção em lotes aplica-se ao fabrico de quantidades limitadas de um determinado bem, seguida, na mesma unidade, pelo fabrico de outros parecidos. As têxteis utilizam muito a produção por lotes. Por fim, a produção por projetos aplica-se a produtos ou serviços únicos e que, por isso mesmo, não podem entrar numa linha de montagem.

Ora os serviços de saúde, por serem únicos, só podem ser produzidos com a máxima eficácia se respeitar as técnicas da produção por projetos. Isto significa que cada serviço ou resultado procurado por um paciente tem de passar a ser analisado e produzido “caso a caso”, em vez de tramitar numa linha de montagem.

Este princípio torna-se evidente se pensarmos que as necessidades dos pacientes são tão variadas que os recursos necessários para a execução de um mesmo procedimento variam imenso de caso para caso. Tratar uma hérnia, por exemplo, é radicalmente diferente num lactente, num adulto ou num sénior, consoante se trata de um caso eletivo ou urgente e se existe, ou não, patologia associada.

Colocar todos estes casos numa linha de montagem conduz a perdas de eficácia que comprometem a produtividade e a qualidade, e ameaçam a sustentabilidade económica do sistema de saúde. O ideal é optar pelo melhor método para cada situação e alocar os recursos necessários de acordo com as necessidades específicas. Esta filosofia é, em termos técnicos, a chamada gestão de projetos.

A propósito os serviços de saúde devem ser produzidos por “projetos” e que a mudança de paradigma – da produção em massa para a produção por projetos – pode permitir uma economia significativa, associada a uma melhoria da qualidade.

A minha proposta, portanto, consiste em passarmos a produzir os serviços de saúde de acordo com a sua natureza intrínseca. Utilizando as ferramentas da produção por projetos, especialmente as tecnologias de informação, de modo a produzirmos melhor um bem de que a comunidade tanto necessita.


A mudança de paradigma pode diminuir os custos da saúde e esse fator é muito importante. Contudo, é necessário sublinhar também que a produção por projetos tem potencial também para melhorar a qualidade dos serviços e permitir uma personalização do atendimento a que os pacientes tanto aspiram e a que, convenhamos, têm direito.


Se aceitarmos que “cada caso é um caso”, devemos ponderar o recurso a um método de produção que respeite este princípio.


(1) Couto, J. Project management can help to reduce costs and improve quality in health care services. J Eval Clin Pract., Jan; 14 (1): 48-52, 2008.

Gerenciamento de Projetos na Saúde - Parte 01

Gerenciamento de Projetos na Saúde - Parte 02

Gerenciamento de Projetos na Saúde - Parte 03

Gerenciamento de Projetos na Saúde - Parte 04




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