Como um produto pode ter alta qualidade e ser entregue no prazo se seus componentes são de baixa qualidade e entregues com atraso?
Nos
sistemas tradicionais, os custos de compras são alocados arbitrariamente aos
produtos e geralmente são indicados como uma porcentagem do custo do material.
Sem a alocação adequada dos custos de compras, os gerentes dessa área
normalmente selecionam os fornecedores com base no preço de venda dos produtos.
Esse
padrão leva a comportamentos de compra inadequados e que enfraquecem o
posicionamento estratégico da empresa, como comprar componentes de um
fornecedor com qualidade, confiabilidade e desempenho de entregas inferiores
aos de outros fornecedores.
Essas
decisões de compra comprometem a capacidade de satisfazer os clientes e obter
lucros adequados. Como um produto pode ter alta qualidade e ser entregue no
prazo se seus componentes são de baixa qualidade e entregues com atraso? A
resposta, obviamente, é que não pode. Porém, se os gerentes são recompensados
unicamente com base nos preços que negociam com os fornecedores, é praticamente
impossível mudar sua prática de seleção.
A
gestão estratégica de custos resolve o conflito de duas maneiras: primeira, ao
assumir uma visão mais ampla dos custos dos componentes; segunda, ao alocar os
custos das compras aos produtos de forma causal. Em vez de meramente analisar o
preço de um produto, a gestão estratégica de custos inclui os custos associados
à qualidade, à confiabilidade e à entrega.
Espera-se
que os gerentes da área de compras avaliem os fornecedores em relação ao custo
total e não apenas ao preço. O comportamento resultante leva ao reforço do
posicionamento estratégico da empresa porque os fornecedores são escolhidos com
base em sua capacidade de ajudá-la a fabricar produtos de alta qualidade,
sintonizados com a demanda dos clientes, e que podem ser vendidos com lucro.
Outra
consequência: os custos dos produtos informados são mais exatos. Os produtos que
contêm alto número de componentes específicos e que dependem de fornecedores especializados,
por exemplo, passam a ser considerados mais caros do que os que contêm apenas
componentes padronizados. Os designers
de produtos são os profissionais
mais indicados para comparar os benefícios de funcionalidade e custo quando
projetam novos produtos.
Quando
os componentes especializados agregam valor ao produto, e isso se reflete em seu
preço de venda, então o uso de tais componentes é justificado. Entretanto,
quando o preço de venda não aumenta de acordo, é porque o mercado está dizendo
aos designers que prefere produtos com menos tecnologia. Sem a gestão
estratégica de custos para ajudá-los a fazer esse tipo de escolha, os designers dependem apenas da intuição.
Assim,
alocar os custos do fornecedor ao produto gera uma visão mais precisa da
rentabilidade do produto e fornece informações mais substantivas ao projeto de
novos produtos.
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