Redução do desperdício de materiais nos
canteiros de obra.
A preocupação quanto ao uso
excessivo de materiais e componentes em obras de construção de edifícios, há
muito tempo, faz parte de debates quanto a este segmento industrial.
O real
conhecimento da situação vigente e uma proposta de caminhos para melhorar o
desempenho do setor quanto ao eventual desperdício existente tornam-se
indispensáveis no contexto atual de acirramento da competição entre as empresas
e de crescentes exigências por parte dos consumidores de obras de edifícios.
O consumo excessivo de
materiais pode ocorrer em diferentes fases do empreendimento.
Pode-se
citar, quanto à concepção, o caso de um projetista estrutural não explorar
adequadamente os limites que o conhecimento atual permite e gerar, assim, uma
estrutura com consumo de concreto por metro quadrado de obra muito elevado. O
mesmo pode ocorrer quando a definição do traço para a argamassa de contra piso
leva a um consumo desnecessariamente alto de cimento.
No caso
da execução, são várias as fontes de perdas possíveis: no recebimento, o
material pode ser entregue em uma quantidade menor que a solicitada; blocos
estocados inadequadamente estão sujeitos a serem quebrados mais facilmente; o
concreto, transportado por equipamentos e trajetos inadequados, pode cair pelo
caminho; a não obediência ao traço correto da argamassa pode implicar sobre consumos
na dosagem dela (processamento intermediário); o processo tradicional de
aplicação de gesso pode gerar uma grande quantidade de material endurecido não
utilizado.
No caso
da fase de utilização do empreendimento, por exemplo, a repintura precoce de
uma fachada pode representar um consumo de tinta maior que o esperado.
Convém,
portanto, ao se discutirem perdas de materiais, entender qual a abrangência em
que essas perdas serão abordadas. Nesta pesquisa, foram focadas as perdas que
ocorrem especificamente dentro do canteiro de obra, isto é, associadas à fase
de execução do empreendimento.
Da mesma
forma, o desempenho no uso de materiais nos canteiros de obra pode ser analisado
segundo dois tipos de abordagem:
-
calculando-se o seu consumo por unidade de serviço (por exemplo, 15 kg de
cimento por metro quadrado de contra piso); ou
-
calculando-se o valor de suas perdas (por exemplo, ao se considerar que o
consumo teoricamente necessário de cimento para o contra piso é de 10 kg, o
consumo indicado no exemplo anterior levaria a uma perda de 50%, isto é, teria
havido um consumo adicional de 5 kg de cimento em relação aos 10 kg definidos
como necessários).
Nota-se,
portanto, que o cálculo do valor da perda carece de uma definição prévia de uma
referência considerada como perda nula.
Outra
dificuldade encontrada é quanto à definição da unidade através da qual se medem
as perdas. Assim, uma perda de 10% em volume de areia, contida, por exemplo, em
argamassas que endureceram e viraram entulho, pode ser bastante significativa
sob o ponto de vista da quantidade de material que terá de ser retirada da
obra, e do espaço necessário para a deposição dele (gerando prejuízos ao meio
ambiente). Tais perdas, no entanto, podem não ter a mesma significância se
expressas em termos financeiros, pelo empreendedor, em comparação com todos os
outros gastos inerentes ao negócio imobiliário. Há, portanto, que se deixar
sempre clara a unidade na qual se está mensurando as perdas: física (volume ou
peso) ou financeira.
Há que se
perceber também a existência de perdas que saem da obra como entulho e aquelas
que ficam incorporadas à obra (como, por exemplo, na forma de sobreespessuras
de revestimentos).
Finalmente,
deve-se ressaltar que a parcela a ser considerado desperdício físico de
materiais depende, para sua definição, de uma avaliação custo–benefício quanto
às perdas detectadas.
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