domingo, 5 de agosto de 2012

Redução de Custos - Ecoeficiência

A ecoeficiência é alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e que tragam qualidade de vida, ao mesmo tempo em que ocorre a busca da redução progressiva do impacto ambiental e do consumo de recursos ao longo do ciclo de vida até um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada da Terra.
As empresas ecoeficientes são aquelas que conseguem benefícios econômicos – rapidez em seus processos e qualidade de seus produtos, com redução nos custos associados aos desperdícios de água, energia e materiais – à medida que alcançam benefícios ambientais por meio da redução progressiva da geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas, inserindo em seu processo gerencial o conceito de prevenção da poluição e de riscos ocupacionais.

Entretanto, o conceito de ecoeficiência ainda tem sido pouco aplicado no setor industrial, comercial e é pouco difundido no setor de serviços. Nota-se cada vez mais o interesse de vários estabelecimentos na participação em programas de qualidade, mas raramente ocorre a preocupação com o controle da geração de desperdícios, pois, os mecanismos que enfocam a prevenção da poluição e a não-geração de resíduos e efluentes ainda são preteridos aos sistemas de tratamento ou disposição final.

Implantação da ecoeficiência
Em um programa de ecoeficiência o processo de produção é permanentemente monitorado e são identificadas todas as fontes de uso de água, energia e materiais, em que poderão estar ou não ocorrendo desperdícios ocultos, com consequente aumento no gasto de água e energia e incremento na geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas.

Esses desperdícios estão relacionados a fatores como problemas operacionais, qualidade de materiais e à falta de procedimentos e de treinamento adequado das equipes.

Após a identificação dos desperdícios, é realizado um balanço de massa e energia em que são quantificadas todas as entradas (água, energia, matérias-primas, auxiliares e insumos) e todas as saídas (efluentes líquidos, resíduos sólidos e emissões atmosféricas) de cada etapa do processo. Por esse balanço os desperdícios referentes a cada etapa do processo podem ser quantificados e analisados economicamente.

De acordo com cada situação, modificações para a eliminação desses desperdícios podem ser sugeridas, havendo desse modo influência direta nos custos relativos, com obtenção não só de benefícios ambientais, mas também, de benefícios econômicos para a empresa.

Benefícios da ecoeficiência
Várias são as vantagens proporcionadas pela implantação da ecoeficiência, como: minimização dos danos ambientais, reduzindo os riscos e responsabilidades derivadas; promoção de condições ótimas de segurança e saúde ocupacional; melhoria da eficiência e competitividade, favorecendo a inovação; melhoria da imagem e do relacionamento com os órgãos ambientais e com a comunidade etc.

Deve-se destacar, também, que além dos benefícios econômicos e ambientais, a implantação do conceito de ecoeficiência nas empresas melhora as condições do ambiente de trabalho, trazendo benefícios para as condições de segurança e de saúde ocupacional.

Ecoeficiência e o fator humano
A capacitação dos profissionais é de extrema importância dentro da concepção da ecoeficiência, uma vez que um dos instrumentos fundamentais para a redução dos desperdícios consiste no treinamento e na conscientização dos técnicos quanto à influência de seus procedimentos para a diminuição da geração de efluentes e resíduos sólidos.

A ecoeficiência preconiza a valorização do fator humano e destaca a importância de formar profissionais com uma visão mais ampla sobre as questões ambientais da atualidade, despertando seu interesse e estimulando sua participação nos programas de qualidade ambiental das unidades de saúde. Além das questões ambientais, o conhecimento sobre os custos associados ao uso de materiais e insumos e ao seu tratamento após uso pode despertar uma maior conscientização, diminuindo o seu uso inadequado ou descontrolado. A expectativa é que profissionais de todos os níveis, conscientes de sua importância, sejam mais participativos e se tornem peças fundamentais no sucesso dos programas relacionados às demandas legais e de qualidade que estejam ocorrendo em suas empresas.

Considerações finais
A visão moderna da tentativa de eliminação ou pelo menos de redução na geração de resíduos e efluentes tem sido uma preocupação constante das empresas sediadas em países desenvolvidos. Todavia, no Brasil, a eficiência nos processos de produção ainda tem sido implantada com certa resistência, apesar do interesse crescente nessa questão demonstrado no aumento da participação de muitos segmentos em programas ecoeficiência.

A implantação da ecoeficiência no setor industrial e nas empresas tem sido divulgada como uma importante ferramenta para a própria questão de competitividade de mercado. Os estabelecimentos ainda não descobriram ou não demonstraram interesse no uso dessa ferramenta: talvez pela falta de informação ou pela necessidade de participação efetiva de grande parte dos funcionários; talvez pela necessidade de uma análise e monitoramento do seu processo; talvez pela desconfiança em uma proposta nova. A necessidade de implantação do gerenciamento adequado dos resíduos já tem merecido uma atenção maior, mas o enfoque dado à disposição final ainda continua sendo a opção mais frequente.

Contudo, em breve o grande desafio das empresas brasileiras com relação à geração de seus resíduos não se limitará apenas à reciclagem, tratamento ou destinação final adequada desses resíduos. Será preciso implantar, cada vez mais, o conceito da não-geração e redução da geração de resíduos na sua origem, não só porque eles identificam perdas e desperdícios, mas também pelas inerentes questões de competitividade de mercado, redução de custos, demandas legais, conscientização da população e preservação ambiental.





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